O Programa concedeu bolsa para os 3.008 (três mil e oito) atletas, sendo 26 (vinte e seis) habilitados pela Categoria Atleta OlÃmpica e ParaolÃmpica; 574 (quinhentos e setenta e quatro) pela categoria Atleta Internacional; 2.163 (dois mil cento e sessenta e três) pela categoria Atleta Nacional; e, 245 (duzentos e quarenta e cinco) pela categoria Atleta Estudantil.
O Bolsa Atleta concedida na Categoria Internacional ao atleta surdo Alexandre Soares Fernandes tem um significado muito importante para o desenvolvimento do Desporto de Surdos no Brasil, pois a comunidade surda começa a ver que estamos avançando ainda que de maneira muito tÃmida.
O atleta Alexandre Soares Fernandes é o primeiro medalhista Surdo-OlÃmpico do paÃs ao ter conquistado um Bronze na 21ª Surdo-OlimpÃada, em 2009, Taipei.
Fernandes, como gosta de ser chamado, tem uma trajetória de muita luta. Além das dificuldades pela falta de comunicação, o atleta quando iniciou no Projeto Valorizando as Diferenças (AVD) saia de casa em São Gonçalo todos os dias de madrugada para ir estudar em Laranjeiras no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), depois a tarde trabalhava meio-expediente, no Centro, numa empresa onde saÃa à s 18hs e partia direto para o judô. Durante dois anos.
Fernandes começou a se destacar logo nos treinamentos e nas competições estaduais e nacionais, estas sempre com ouvintes, apesar da pouca graduação. E, no Surdo-OlÃmpico não foi diferente, compondo a 1ª Delegação Brasileira de Judô de Surdos com sete atletas, todos da AVD, sendo cinco faixas verdes, um roxa e um preta, os atletas surdos brasileiros não decepcionaram. O atleta da categoria -66kg , faixa verde, superou o faixa preta japonês por ippon. Fernandes, faixa verde, saiu do Surdo-OlÃmpico sem levar um ponto, superou seus adversários, todos por ippon, e sua única derrota foi na bandeirada (quando há empate).
O reconhecimento para Fernandes e os demais atletas surdos já haviam chegado com o benefÃcio do Bolsa Atleta Estadual. Vale lembrar que o patrocinador oficial da Seleção Brasileira de Judô de Surdos foi o Governo Estadual do Rio de Janeiro.
Os atletas surdos apesar de serem atletas olÃmpicos não podiam ser contemplados pelo Bolsa Atleta Federal porque o Surdo-OlÃmpico não era reconhecido em 2009. Por isso, Fernandes só poderia ser classificado como atleta internacional.
O Surdo-OlÃmpico passa a ser reconhecido na III Conferência Nacional do Esporte (CNE), em BrasÃlia, em 2010, quando o professor Eduardo Duarte a convite do Ministério do Esporte participou como Delegado Nato, onde conseguiu a aprovação, isto é, o reconhecimento do Surdo-OlÃmpico que consta do Documento Final da III CNE.
Agora, Fernandes representa toda uma comunidade desportiva, a comunidade surda.
Este ano Fernandes e seus companheiros da seleção representarão o paÃs pela primeira vez no Pan Americano de Surdos, em MG, em 2012 o Mundial na Venezuela e em 2013 o Surdo-OlÃmpico na Grécia.